Ecossistemas

O planeta Terra é formado por uma imensa rede de interações entre os seres vivos e entre eles e o meio em que vivem. Normalmente, essas relações são alimentares. Nessa rede, percebemos que há influências dos diferentes seres vivos (fatores bióticos) sobre os elementos físico-químicos do meio (fatores abióticos)  e  destes para os seres vivos.
Ninguém duvida que animais e vegetais mantenham uma estreita relação negativa ou positiva. Se pensarmos em ação positiva, podemos lembrar não só de alimentação, mas, também, refúgio, proteção e favorecimento à reprodução, como é o caso de uma abelha que poliniza flores ou da gralha azul que carrega e deposita o pinhão longe do pinheiro.
Se pensarmos em ação negativa, temos as lagartas que comem com muita vontade as folhas de um vegetal, podendo dificultar seu crescimento e até mesmo levar esse vegetal à morte ou um bando de gafanhotos que aniquila uma lavoura.
Se olharmos essas relações, agora entre os seres vivos e fatores como a luz, ventos, clima, gases como o O2 e CO2, matéria orgânica e inorgânica presente nos ambientes terrestres e aquáticos, vamos perceber, também, que há muita interferência nas duas direções. A flora e a fauna bem como os seres mais simples como as bactérias e fungos dependem do meio, estando sujeitos, por exemplo, à variação do clima (umidade do solo e do ar, pressão atmosférica), da temperatura, das horas-luz, que aumentam ou diminuem as possibilidades de crescimento e manutenção dos indivíduos e das espécies.
Por outro lado, podemos perceber como a sucessiva implantação de espécies vivas não pertencentes à uma determinada região pode acabar por transfigurá-la por completo. Espécies estranhas ao ambiente ( espécies exóticas) podem dificultar a sobrevivência das espécies nativas, por estarem disputando o mesmo espaço, utilizando elementos que até ali não existiam. Por exemplo, a entrada do Pinus sp ( um tipo de pinheiro) em Mostardas no Rio Grande do Sul ( usado principalmente no fabrico de móveis) trouxe dificuldades à flora e fauna do ecossistema da região, por ter facilidade na disseminação de suas sementes, alastrando-se ao ponto de  impedir o crescimento de outros vegetais. Com isso, o Pinus tomou conta do ecossistema, trazendo sérios prejuízos à alimentação da fauna que ali vivia .
 Mais forte e chocante, ainda, é a ação do homem que, ao impor degenerações ao ambiente em que vive, pode estar obrigando  alguns espaços da Terra a entrar em uma fase da qual não há mais volta.
Em síntese, é possível reconhecer que há uma complexa rede de relações recíprocas entre os seres vivos e os fatores abióticos que os rodeiam. Ao mesmo tempo, há um fluxo de energia e de matéria que passa do ambiente para os seres vivos e desses para outros seres vivos até que volte para o meio.
Esse conjunto formado, então, pelo meio e os seres que estão em relações de interdependência, é conhecido como ecossistema.

O que é, então, um ecossistema?
É um conjunto de relações mútuas, com transferência de energia e matéria, entre os seres e o meio abiótico em uma determinada região do planeta.

Os fatores bióticos e abióticos de um ecossistema

Fatores Bióticos


 Nele, os fatores bióticos estão representados pelos elementos resultantes das inter-relações vitais entre os seres bióticos que compõem as diferentes populações e comunidades existentes. Como exemplos de fatores podem ser citados: ter indivíduos suficientes de uma determinada espécie que serve de alimentação a outras; processos de relações competitivas, predatórias ou até de parasitismo.
Os seres bióticos aparecem em 3 categorias, mantendo um fluxo de energia e matéria entre eles:


Produtores (seres autótrofos) - são os seres capazes de produzir seu próprio alimento. Entre eles estão presentes algas microscópicas (fitoplancton), algas macroscópicas e plantas fotossintetizantes que produzem matéria orgânica (glicose), onde armazenam energia química proveniente da energia luminosa, necessária para a manutenção dos processos vitais dos seres vivos. Nessa categoria incluem-se, ainda, os seres vivos quimiossintetizantes que, por não terem pigmentos fotossintéticos, não são capazes de captar a energia luminosa e transformá-la em energia química. Eles utilizam a energia da quebra de compostos inorgânicos para produzir matéria orgânica como é o caso de alguns tipos de bactéria que vivem no solo.

Consumidores (seres heterótrofos) – são os seres que dependem da matéria orgânica fabricada pelos produtores. Entre eles temos os seres microscópicos que flutuam na água ( zooplancton) e que se alimentam das algas; peixes pequenos que devoram esses seres microscópicos; peixes maiores, mamíferos, aves, répteis que devoram os menores e assim por diante.
Conforme sua posição na cadeia alimentar, os consumidores são classificados em: consumidores primários ( nível trófico 1), secundários ( nível trófico 2), terciário ( nível trófico 3), etc. Os consumidores primários são representados pelos seres herbívoros que se alimentam diretamente dos produtores. Por sua vez, esses seres servem de alimento para os seres carnívoros que vem logo acima deles na cadeia alimentar e assim por diante.


Decompositores-  bactérias e fungos que vivem no solo e na água decompondo a matéria orgânica dos dejetos (amônia, uréia, ácido úrico),  de seres mortos ou em decomposição, obtendo energia para o funcionamento de suas atividades vitais. Nesse processo, devolvem a matéria, agora inorgânica, ao ecossistema. Isso porque, as substâncias minerais produzidas durante o processo de decomposição ( principalmente o CO2) são devolvidas aos produtores para a realização da fotossíntese. Assim o papel fundamental dos decompositores se encontra na reciclagem de matéria orgânica, fornecendo matéria inorgânica para fotossíntese.

Se fizermos uma comparação funcional entre os produtores e decompositores, podemos dizer que os produtores introduzem a energia na cadeia alimentar, armazenada na glicose, enquanto os decompositores introduzem  a matéria.
Como se percebe, o fluxo de energia se dá em uma direção, sempre do meio para o seres vivos, enquanto que o fluxo de matéria se produz do meio para os seres vivos e deles para o meio. Assim, dizemos que o caminho da energia é unidirecional e o da matéria é cíclico.

No fluxo de energia, apenas 1% da energia luminosa que atinge um ecossistema é utilizado na realização da fotossíntese. Entretanto esse 1% é suficiente para gerar, no nosso planeta, de 150 a 200 bilhões de toneladas de matéria orgânica por ano.
Uma parte desses compostos orgânicos é consumida nos processos de liberação de energia (respiração celular e fermentação), visando obter energia para manutenção dos processos celulares. Durante esse processo, a matéria orgânica é quebrada até chegar à forma de água e gás carbônico. O restante dessa matéria é incorporada na estruturas celulares das plantas e algas (como a parede celulósica celular), formando partes dos corpos desses organismos (caules, folhas e raízes). É exatamente essa matéria orgânica que servirá de alimento para os consumidores primários (herbívoros).

Por exemplo, em uma cadeia que começa com sol como matéria prima para produção de energia química e continua com pé de milho como produtor- gafanhotos como cosumidor primário-  sapos como consumidores secindários - cobra como terciário- coruja como consumidor quaternário, a energia química armazenada nas ligações químicas das moléculas de glicose do milho, passa pelos seres vivos dos diferentes níveis tróficos, chegando ao nível da coruja com uma quantidade bem menor do que foi obtida quando o gafanhoto comeu o pé de milho.  Da mesma forma,  o fluxo da matéria que passa do solo ao pé de milho e depois pelos gafanhotos até a coruja vai diminuindo à medida em que se aproxima do fim da cadeia. Por isso mesmo, consumidores terciários, quaternários etc... precisam comer bem mais vezes e em maior quantidade que os seres do começo da cadeia.
Em todos os níveis da cadeia alimentar, os dejetos que resultam dos processos vitais assim como a matéria orgânica dos que morrem podem ser atacada pelos decompositores, que possibilitam a reposição dos  produtos inorgânicos ao ambiente.

Fatores Abióticos

Os fatores abióticos são os fatores físico-químicos que aparecem no ecossistema, influenciando o crescimento equilibrado das espécies. Muitas vezes, esses fatores favorecem o aparecimento de adaptações que possibilitam a sobrevivência em melhores níveis de vida.
No caso do ecossistema marinho, a salinidade das águas é um fator importante assim como a temperatura, as correntes marinhas, os gases O2 e CO2 dissolvidos na água, a pressão hidrostática que limita a vida de espécies em determinadas profundidades e pH que identifica a acidez ou basicidade da água.  No caso de um ecossistema terrestre, aparecem como fatores abióticos essenciais a luz, a temperatura, os elementos do solo, a água e os gases atmosféricos.

Assim, peixes marinhos que entram em estuário para criar seus filhotes, tais como a tainha, apresentam um nível de tolerância às diferenças de salinidade bastante grande. Isso permite que ela sobreviva em meio aquático doce e salgado. Outros peixes, apresentam um órgão interno chamado bexiga natatória que, através do aumento ou diminuição dos gases dentro dela, permite que ele passe lentamente de um meio mais profundo para água mais rasas ou nade sem afundar. O tubarão, por exemplo, tem que estar sempre nadando porque se parar afunda já que não apresenta bexiga natatória.
No complexo sistema de inter-relações entre os seres vivos de um ecossistema, podemos observar que muitas cadeias alimentares se superpõem, formando um emaranhado de fluxos. Assim, por exemplo, na cadeia grama - gafanhotos-  sapos- cobra- coruja, aparecem outros caminhos pelos quais segue a matéria e a energia. É o caso, da cobra que pode ser comida por tanto por corujas como por gaviões, cruzando, portanto, duas cadeias alimentares. Ao conjunto de cruzamentos de cadeias é dado o nome de teia alimentar.